Louíse Ketlyn Gilberti Rocha Gomes
A Relação Terapêutica é o vínculo construído entre cliente e psicoterapeuta. Remete a interação entre ambos. É uma relação diferente da que estabelecemos com outras pessoas em diferentes contextos. Mais do que um vínculo de confiança, “[...] possui um caráter de ajuda; dessa forma, o terapeuta, dotado de conhecimentos e de habilidades técnicas, procura criar condições para que o cliente consiga ultrapassar os obstáculos que vem enfrentando.” (Kohlenberg e Tsai, 1991/2001; Skinner, 1953/1994 citado por Alves e Isidro-Marinho, 2010, p.69).
Há algumas décadas, a psicoterapia centrava-se apenas no uso de técnicas para o andamento e desenvolvimento dos casos. No entanto, já conseguimos perceber mudanças nessa perspectiva, especialmente a partir dos trabalhos de Carl Rogers. Atualmente, observa- se a relação terapêutica como um dos principais meios para mudança de comportamento. (Alves e Isidro-Marinho, 2010).
É comum que o cliente chegue à psicoterapia trazendo um histórico de punição de seus comportamentos, falta de acolhimento e invalidação. Caso o cliente encontre a mesma consequência no processo psicoterápico é provável que ele não dê continuidade. Nos cabe ensinar ao cliente que neste contexto não há “[...] comportamentos feios ou bonitos, bons ou maus, certos ou errados. Existem os comportamentos, o porquê de eles ocorrerem, o que os mantêm e quais seus efeitos.” (de-Farias e Cols, 2010, p. 34).
Dentre as terapias contextuais, a Psicoterapia Analítico Funcional (FAP) vem trabalhando a partir deste panorama como elemento central de atuação. Tendo em vista que “[...] comportamentos-alvo originados fora da terapia tenderiam a ocorrer na relação do cliente com o terapeuta.” (Alves e Isidro-Marinho, 2010, p. 71). Sendo assim, “[...] o terapeuta deve atuar de forma a estabelecer um vínculo efetivo com o seu cliente, possibilitando um ambiente confortável e acolhedor para que o cliente possa dizer o que quiser e como quiser sem sentir- se ameaçado por ser sincero.” (Alves e Isidro-Marinho, 2010, p. 91).
Considerando os pontos mencionados, é importante ressaltar a relevância do terapeuta ter claro a relevância não apenas de suas falas, mas de sua postura, expressões faciais durante os atendimentos. Visto que suas reações podem ser utilizadas como meio para modelar o comportamento do cliente. (Alves e Isidro-Marinho, 2010).
REFERÊNCIA:
ALVES, Nathalie Nunes Freire; ISIDRO-MARINHO, Geison. Relação Terapêutica sob a Perspectiva Analítico-Comportamental. Análise Comportamental Clínica. Porto Alegre: Artmed, 2010, p. 66-94.
MARÇAL, João Vicente de Sousa. Behaviorismo Radical e a Prática Clínica. Análise Comportamental Clínica. Porto Alegre: Artmed, 2010, p. 30-48.
